{"id":10269,"date":"2022-01-24T10:43:47","date_gmt":"2022-01-24T13:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/?p=10269"},"modified":"2022-01-24T10:43:47","modified_gmt":"2022-01-24T13:43:47","slug":"viagem-a-regiao-oeste-do-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/viagem-a-regiao-oeste-do-japao\/","title":{"rendered":"VIAGEM \u00c0 REGI\u00c3O OESTE DO JAP\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-10269\"  class=\"panel-layout\" ><div id=\"pg-10269-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-10269-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-10269-0-0-0\" class=\"so-panel widget_sow-editor panel-first-child\" data-index=\"0\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\"\n\t\t\t\n\t\t>\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n\t<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 do conhecimento dos senhores fi\u00e9is, empreendi esta viagem \u00e0 Regi\u00e3o Oeste, a qual n\u00e3o visitava h\u00e1 um bom tempo. Desnecess\u00e1rio mencionar que me movi de acordo com a Vontade Divina, sendo que tal fato prenuncia a proximidade da \u00e9poca de desenvolvimento de nossa Igreja. Pretendo, aqui, relatar, de modo geral, o que ocorreu durante esta viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ida fiz uso apenas de autom\u00f3vel, tendo aprendido que, ao contr\u00e1rio do que se espera, \u00e9 menos confort\u00e1vel do que empregar trem. Todavia, assim, realizei meu antigo desejo de uma vez percorrer as cinquenta e tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es da via Tokaido, com ares de um Yajirobee ou de um Kitahachi da atualidade. Tendo por acompanhantes apenas a minha mulher e Abe, tratou-se de uma viagem descontra\u00edda. Partindo \u00e0s sete horas da manh\u00e3, depois de atravessarmos Shizuoka, encontramos com grupos de fi\u00e9is que, \u00e0 beira do caminho, postavam-se aqui e ali para nos cumprimentar, fato que me colocou bastante atarefado. Os grupos numerosos compunham-se de cinquenta a sessenta pessoas, os pequenos \u2014 por menores que fossem \u2014 de cinco a seis. A todos eu respondia com um acenar de cabe\u00e7a, o que chegava a ser estonteador. Nas cercanias de certa ponte, havia um punhado de cinquenta a sessenta pessoas, entre as quais se misturava um policial. Quando eu cogitava que a raz\u00e3o de sua presen\u00e7a ali estaria na manuten\u00e7\u00e3o da ordem, ele, inesperadamente, descobriu a cabe\u00e7a e inclinou-se polidamente. Foi, ent\u00e3o, que compreendi tratar-se de um fiel e encenei um sorriso amarelo. Nesse \u00ednterim, chegamos, consoante o previsto, l\u00e1 pelas onze horas \u00e0 igreja de Nagoya. Na ponte pr\u00f3xima a esta, tivemos a acolhida de membros da diretoria e demais fi\u00e9is, liderados pelo seu chefe, o Sr. Shoichi Watanabe, perfazendo uma multid\u00e3o de algumas centenas de pessoas. Fui informado de que aquela casa fora tomada por igreja a cerca de meio ano atr\u00e1s. A vista que dela se aprecia \u00e9 \u00f3tima, tratando-se de uma constru\u00e7\u00e3o no estilo sukiya, luxuos\u00edssima. Conta com bastantes c\u00f4modos, sendo espa\u00e7osa e agrad\u00e1vel. \u00c9 uma casa magn\u00edfica, dif\u00edcil de se encontrar igual pelas redondezas. Seu jardim, em especial, \u00e9 realmente espl\u00eandido, com rochas e pedras ex\u00f3ticas, que se sobrep\u00f5em umas \u00e0s outras. Fomos convidados, ent\u00e3o, para um almo\u00e7o amabil\u00edssimo, ap\u00f3s o qual fiz uma palestra para quatrocentas ou quinhentas pessoas, diretores e membros qualificados daquela regi\u00e3o. Quando novamente tomei o carro, j\u00e1 passavam das tr\u00eas horas da tarde. Tanto quando entrei na referida igreja, como ao dela sair, formavam-se duas alas cerradas de fi\u00e9is dos arredores, desdobrando-se por uma extens\u00e3o de aproximadamente uns cem metros. Seriam umas mil pessoas, num primeiro c\u00e1lculo. Eu ia alternadamente acenando a cabe\u00e7a, ora \u00e0 direita, ora \u00e0 esquerda, em dire\u00e7\u00e3o a ambos os grupos, tendo penado bastante com isso. Considerei, ent\u00e3o, ser mais f\u00e1cil e conveniente proceder como o pessoal importante em semelhantes ocasi\u00f5es, ou seja, manter a m\u00e3o direita elevada \u00e0 altura da cabe\u00e7a. Afortunadamente, o local em quest\u00e3o era ermo, distando cerca de um quarteir\u00e3o de uma grande avenida, fato que evitou a presen\u00e7a de intrusos que tudo querem ver. Foi realmente uma provid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, dirigimos o nosso ve\u00edculo para a cidade de Quioto. Durante o percurso, o que atraiu minha aten\u00e7\u00e3o foi a passagem pelo desfiladeiro de Suzuka, nos arredores de Tsuchiyama. Nosso carro avan\u00e7ava como se deslizasse por uma rodovia plana, dessas t\u00edpicas das regi\u00f5es tur\u00edsticas. O c\u00e9u de maio estendia-se completamente azul, e n\u00f3s \u00edamos serpenteando por entre o verde vi\u00e7oso da folhagem nova da vegeta\u00e7\u00e3o de ambas as encostas dos montes. Fui tomado por uma intensa sensa\u00e7\u00e3o de refrig\u00e9rio. De repente, notei que j\u00e1 hav\u00edamos atingido a vasta plan\u00edcie de Shiga. Foi quando minha mulher exclamou: \"Veja!\". De fato, o Lago Biwa resplandecia entre as montanhas. Ao atingirmos as proximidades da ponte de Seta, centenas de pessoas j\u00e1 se achavam nesse local \u00e0 espera para nos receber. Fomos, ent\u00e3o, conduzidos para a vila de certo senhor, nas depend\u00eancias do Templo Nanzen, a qual fora previamente arranjada para nossa hospedagem. O rel\u00f3gio marcava um pouco antes das oito. Tamb\u00e9m esta vila era uma constru\u00e7\u00e3o sukiya ao estilo de Quioto: bastante luxuosa, com um jardim espa\u00e7oso, proporcionando uma vista agrad\u00e1vel e familiar com seus musgos. Em especial, era dif\u00edcil de desprezar a paisagem do jardim em estilo enshu, atapetado com musgo, vista da ponte em arco sobre um lago, de uns quinze metros, que conduzia para o pr\u00e9dio destinado \u00e0s minhas acomoda\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de tudo, o melhor eram o sossego e a calma reinantes, dos quais n\u00e3o se pode gozar em hospedarias. Logo, foram servidos pratos da mais fina culin\u00e1ria japonesa de Quioto, e eu os degustei com del\u00edcia. Como eu me encontrasse esgotado, gra\u00e7as \u00e0 viagem de autom\u00f3vel de onze horas, devo ter ca\u00eddo no sono l\u00e1 pelas doze horas, depois de muito ter preocupado os servidores pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 seguinte, levantamo-nos cedo e partimos, visitando, inicialmente, o museu de propriedade da fam\u00edlia Sumitomo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, guiados pelo Sr. Mimura. Seu acervo comp\u00f5e-se quase que todo de bronzes chineses antigos, estando, em exposi\u00e7\u00e3o, perto de duas centenas e algumas dezenas de pe\u00e7as. Disseram-me ser este n\u00famero quase a metade do total. Surpreendeu-me terem conseguido reunir semelhante cabedal. As pe\u00e7as mais antigas remontam ao per\u00edodo da dinastia Yin e, \u00e0 medida que o tempo avan\u00e7a, passando pela dinastia Han e os Tr\u00eas Reinos, essa variedade aumenta. Deve-se ter em alta valia o m\u00e9rito daquele que reuniu t\u00e3o completo acervo. Daqui saindo, encaminhamo-nos \u00e0 vila real de Katsura. Esta vila, tendo sido constru\u00edda nos prim\u00f3rdios do per\u00edodo Momoyama, traz, acentuadamente imbu\u00eddo em seus pr\u00e9dios e jardins, o gosto que ent\u00e3o imperava pela Cerim\u00f4nia do Ch\u00e1, refletindo muito bem a caracter\u00edstica da \u00e9poca. Al\u00e9m do mais, deleitou-me, sobretudo, o sabor indiz\u00edvel de sobriedade, origin\u00e1rio da p\u00e1tina dos longos anos flu\u00eddos. Visitamos, depois os templos Kokedera<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e Ryoan. Sobre estes \u00faltimos, n\u00e3o me restou outra impress\u00e3o a n\u00e3o ser a que eu possa adjetivar como \"lugares curiosos\". Como os ponteiros do rel\u00f3gio marcavam onze horas, apressamo-nos rumo ao templo Honen-in, do qual se diz ter sido o local onde, outrora, o venerado monge Honen se dedicou a pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas. Aguardavam-nos, ali, centenas de fi\u00e9is desta regi\u00e3o, a qual h\u00e1 muito planej\u00e1vamos visitar. Portanto, fiz-lhes uma palestra intercalada com as minhas impress\u00f5es sobre Quioto naquele dia. Finda esta, vi os v\u00e1rios c\u00f4modos do referido templo sob a orienta\u00e7\u00e3o do p\u00e1roco. N\u00e3o obstante seu envelhecimento, trata-se de um templo magn\u00edfico. Al\u00e9m de tudo, mostraram-me mais de dez pe\u00e7as, dentre as quais pap\u00e9is decorados com pinturas em cores vivas de flores e p\u00e1ssaros, assim como um biombo (de autoria de artista desconhecido) do per\u00edodo Momoyama, classificados como tesouros nacionais: tudo simplesmente espl\u00eandido. Fui introduzido, a seguir, no pavilh\u00e3o principal, onde pude contemplar a imagem sentada do Buda Amitabha, de dimens\u00f5es um pouco maiores que as de um homem, atribu\u00edda a Eshin Sozu, tamb\u00e9m esta uma obra excelente. Voltando, ent\u00e3o, ao local em que nos hosped\u00e1vamos, depois do almo\u00e7o dirigimo-nos, primeiramente, \u00e0 vila real de Shugakuin. A vila \u00e9 constitu\u00edda de um extenso jardim, de alguns milhares de metros quadrados, com colinas e lagos, e apenas um ou dois pr\u00e9dios. De sua parte alta, a vista abarca toda a cidade de Quioto. A paisagem em que o rio Kamogawa dissolve-se em brumas, como se fosse uma cinta de cor branca, \u00e9 dif\u00edcil de se descartar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, visitei o Templo Shakadera<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, de Saga, sendo depois convidado ao Templo Daitoku, onde me mostraram a ta\u00e7a de ch\u00e1 do tipo Ido, chamada Kizaemon. Tida como a melhor ta\u00e7a de ch\u00e1 do Jap\u00e3o, trata-se realmente de uma preciosidade. Ap\u00f3s isso, fui conduzido \u00e0 vila de Nomura<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, em Nanzenji-cho. A magnific\u00eancia desta mans\u00e3o ultrapassou as minhas expectativas. Apesar de n\u00e3o ter visto o seu interior, os seus vastos jardins, com um lago ao centro, cercado por \u00e1rvores e rochas, bem como sua ponte \u2014 tudo, enfim, adequava-se ao meu gosto. Para se ter uma ideia, basta que se imagine um jardim no estilo daqueles dos senhores feudais antigos, modernamente arranjado. Depois de sair deste local, fui convidado para o ch\u00e1, conforme anteriormente havia sido combinado, pela fam\u00edlia de Kankyu Soanke, patriarca do estilo Mushanokoji da Cerim\u00f4nia do Ch\u00e1, estilo este que forma com os das fam\u00edlias Ura e Omote-Senke tr\u00eas grandes correntes. Na ocasi\u00e3o, fui recebido com um banquete cordial\u00edssimo, composto de pratos da culin\u00e1ria kaiseki. L\u00e1 pelas dez horas, de volta \u00e0 nossa pousada, fui dormir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 seguinte, \u00e0s dez horas, rumamos, de acordo com o programa, ao Museu Nacional de Quioto, onde vi a exposi\u00e7\u00e3o, ora realizada, de cer\u00e2mica chinesa antiga. N\u00e3o havia, contudo, nada de especial. Visitei a seguir, como tamb\u00e9m fora arranjado, o Museu Yurinkan, onde se exp\u00f5e um rico acervo de Arte chinesa antiga, principalmente lou\u00e7as antigas, bronzes e pinturas, havendo coisa de primeira. A grande parte, entretanto, \u00e9 de categoria mediana. Depois, fomos ao mosteiro Nishihongan-ji. Guiados por um monge, visitamos as suas depend\u00eancias que, n\u00e3o obstante velhas, s\u00e3o imponentes. Progressivamente fomos conduzidos para o seu interior, adentrando por uma sala que, segundo consta, foi usada para audi\u00eancias por Hideyoshi Toyotomi no seu famoso castelo de Momoyama, tendo sido transportada para esse local. Seu teto luxuoso \u00e9 de treli\u00e7as, e suas quatro paredes s\u00e3o forradas inteiramente com delgadas l\u00e2minas de ouro, sobre as quais se pintaram, em cores viv\u00edssimas, flores e p\u00e1ssaros, paisagens e figuras humanas, conformando a quintess\u00eancia da pompa. A fulgurante superioridade do ent\u00e3o Conselheiro-Mor pode ser pressentida completamente gra\u00e7as a tal sala. Depois, fomos levados, atrav\u00e9s de um jardim, a uma casa bem afastada, do feitio de um anexo. Num canto dela, havia a sala de banho de Hideyoshi, por sinal muito r\u00fastica. N\u00e3o chega mesmo aos p\u00e9s dos banheiros das hospedarias de classe m\u00e9dia modernas. Outrossim, havia, num dos lados, uma porta de t\u00e1buas de cerca de um metro e oitenta cent\u00edmetros, como a de um arm\u00e1rio embutido. Ao perguntar do que se tratava, obtive a resposta de que era o esconderijo de dois guerreiros que se refugiariam ali caso fosse preciso. Como se pode deduzir, era mesmo uma \u00e9poca perigos\u00edssima. Al\u00e9m disso, na sala maior, abria-se um buraco grande o bastante para dar passagem a um homem. Espiando dele, pude ver que se comunicava com a \u00e1gua do lago pr\u00f3ximo. Disseram-me que sua fun\u00e7\u00e3o era dar fuga de barco pelo lago, nas horas de emerg\u00eancia. Fiquei mas foi pasmado! Ri \u00e0 be\u00e7a, dizendo que renunciaria ao poder, caso tivesse que levar uma vida t\u00e3o sinistra assim, mesmo sendo o senhor do mundo. Saindo de l\u00e1, dirigimo-nos de carro rumo a Osaka. Tendo chegado \u00e0 casa do Sr. Kawai, a qual, h\u00e1 pouco tempo, tornaram-se igreja filial, fomos calorosamente acolhidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o almo\u00e7o, entrevistei-me com os principais fi\u00e9is da regi\u00e3o, a come\u00e7ar pelos membros da diretoria, que, \u00e0s centenas, estavam, h\u00e1 muito, \u00e0 minha espera, fazendo-lhes uma palestra. Finda esta, novamente tomamos o autom\u00f3vel, com o prop\u00f3sito de visitar o Museu Hakutsuru, em Mikague. Levamos pouco mais de uma hora para chegar ao referido local. Apesar de, na oportunidade, o museu em quest\u00e3o achar-se fechado, gra\u00e7as aos desmedidos esfor\u00e7os de determinado senhor, selecionaram e mostraram-me, em defer\u00eancia especial, unicamente suas melhores pe\u00e7as. N\u00e3o sei como agradecer por tal gesto. Tamb\u00e9m nele o acervo consta, essencialmente, de cer\u00e2micas chinesas antigas, al\u00e9m de bronzes e pinturas. Tratando-se, entretanto, somente de obras de primeir\u00edssima qualidade, mesmo a mim, deixaram-me pasmado. Espontaneamente, fui tomado pelo sentimento de render homenagem ao Sr. Kano, patriarca da fam\u00edlia propriet\u00e1ria do museu, recentemente falecido aos noventa anos, por sua elevada vis\u00e3o e m\u00e9rito de ter conseguido colecionar tantas obras finas! Escreverei com brevidade sobre o principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, havia duas pinturas budistas origin\u00e1rias de Tung Huang, China, que podem ser qualificadas como tesouro mundial. Devem datar de um mil\u00eanio antes, sendo extremamente antigas como pintura religiosa b\u00fadica ou, para ser mais exato, pintura oriental. Citarei, a seguir, uma escultura budista do per\u00edodo das Seis Dinastias, uma placa de bronze de 20 a 25 cm<sup>2<\/sup>, na qual se estampavam, em alto-relevo, as imagens de cinco Budas. Seja pela t\u00e9cnica empregada, seja pela caracter\u00edstica da \u00e9poca, a pe\u00e7a possui um sabor indiscut\u00edvel. Eu jamais tinha visto coisa parecida. Outras pe\u00e7as que se destacaram foram o jarro de flores de porcelana verde-resed\u00e1 kinuta com f\u00eanix<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, o tur\u00edbulo de porcelana com pe\u00f4nias em relevo, uma galheta de lou\u00e7a tricolor da Dinastia T\u00b4ang e o vaso de flores decorado com drag\u00f5es negros em baixo-relevo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, produzido nos fornos de Hsiu Pu. Entre todas as demais obras n\u00e3o havia uma sequer que fosse vulgar. Vi variadas fotografias de pe\u00e7as de porcelana chinesa do acervo de museus norte-americanos e europeus, mas estas s\u00e3o superiores. De tal viagem, considero estes os melhores frutos que colhi. Ap\u00f3s a visita, fui convidado ao famoso Restaurante Tsuruya, em Imabashi, onde, juntamente com cerca de trinta membros da diretoria, tomei parte de um jantar. O clima era por demais harmonioso. O semblante risonho de todos parecia como que vaticinar o progresso futuro de nossa Igreja. Por\u00e9m, como o tempo urgisse, dirigimo-nos velozmente de autom\u00f3vel a esta\u00e7\u00e3o de Osaka, aonde chegamos a tempo de embarcar no trem noturno das oito horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um acontecimento que desejo, por fim, registrar, \u00e9 que, nesta viagem, aonde quer que eu fosse, as aglomera\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is eram enormes. Ao deparar-me com fato t\u00e3o alvissareiro, tomei renovada consci\u00eancia do desenvolvimento alcan\u00e7ado nas regi\u00f5es de Nagoya e Oeste, n\u00e3o podendo reprimir a minha alegria. Outrossim, a come\u00e7ar da sinceridade fervorosa e das fisionomias, transfiguradas pela emo\u00e7\u00e3o, dos fi\u00e9is que acorriam para me receber e despedir-se de mim, havia mesmo quem respeitosamente se punha de m\u00e3os postas, e outros at\u00e9 que se sufocavam em suas pr\u00f3prias l\u00e1grimas. Em semelhantes ocasi\u00f5es, tamb\u00e9m eu experimentava uma estranha sensa\u00e7\u00e3o, imposs\u00edvel de se descrever, a brotar do meu \u00edntimo. Esta viagem, ademais, teve a dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dias: nos dois primeiros, fomos agraciados com bom tempo e, no \u00faltimo, tivemos chuva. Tamb\u00e9m este fato deve se tratar, tamb\u00e9m, de manifesta\u00e7\u00e3o de algum plano divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o t\u00e9rmino desta viagem, pude sondar a profundidade dos des\u00edgnios divinos. Explicarei. Como sempre afirmo, Hakone \u00e9 o Para\u00edso das Montanhas, e Atami, o Para\u00edso do Mar. H\u00e1, portanto, necessidade de que se edifique o Para\u00edso da Plan\u00edcie \u2014 para o qual se faz mister um terreno plano e vasto. Quioto, sim, \u00e9 o local que se ad\u00e9qua justamente a esses quesitos: num sentido de Miroku (5, 6 e 7), equivaleria a 7 (sete). Por tal raz\u00e3o \u00e9 que haveremos de adquirir um terreno de enormes dimens\u00f5es nesse lugar. Al\u00e9m do mais, o que desta vez senti com intensidade, gra\u00e7as \u00e0 observa\u00e7\u00e3o, \u00e9 que Quioto constitui, em seu conjunto, uma obra de arte. Conta com uma gama de peculiaridades jamais encontrada em nenhuma outra cidade, devendo ser, por excel\u00eancia, o local a abrigar o grande Para\u00edso Terrestre. Desta maneira, eu me senti intensamente ansioso por construir algo magnificente e digno do s\u00edmbolo de uma metr\u00f3pole art\u00edstica. Contudo, em que pese a Quioto o fato de contar, hoje, satisfatoriamente, com excelentes exemplares de beleza hist\u00f3rica, quase que n\u00e3o se depara, nessa regi\u00e3o, com coisas que apelem de maneira v\u00edvida para o senso do homem moderno. Desejo eu, pois, construir um espa\u00e7o art\u00edstico maravilhoso, que se amolde, perfeitamente, ao senso da \u00e9poca de hoje, o s\u00e9culo vinte. Quero construir algo grandioso: jardins, pr\u00e9dios e, sobretudo, um grande museu de \u00e2mbito mundial, algo que tenha a capacidade de absorver, futuramente, os turistas estrangeiros. Desejo concretizar, na cidade japonesa das Artes, este parque mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Revista Tijyo Tengoku, n\u00ba 25 \u2014 25 de junho de 1951<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Museu de propriedade da fam\u00edlia Sumitomo: Museu Sen-okuhaku Kokan.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Kokedera: Templo Saiho-ji.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Templo Shakadera: Est\u00e1tua de Shaka, do Templo Seiryo-ji em Saga, Quioto.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Vila de Nomura: vila do Sr. Tokushichi Nomura.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Jarro de flores de porcelana verde-resed\u00e1 <em>kinuta <\/em>com f\u00eanix: vaso de gargalo com f\u00eanix.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Vaso de flores decorado com drag\u00f5es negros em baixo-relevo: vaso do tipo flor de cerejeira, decorado com drag\u00f5es negros, em baixo-relevo, sobre fundo branco, produzido nos fornos atualmente conhecidos como <em>Tz'uchou<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-10269-0-0-1\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html panel-last-child\" data-index=\"1\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%2Fensinamentos%2Farte%2Fviagem-a-regiao-oeste-do-japao&width=174&layout=button_count&action=like&size=large&share=true&height=46&appId=171964893011161\" width=\"174\" height=\"46\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#appId=APP_ID&amp;xfbml=1\"><\/script><fb:comments href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/viagem-a-regiao-oeste-do-japao\" num_posts=\"100\" width=\"500\"><\/fb:comments><meta property=\"fb:app_id\" content=\"171964893011161\">\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<script>(function(d, s, id) {<br \/>\n  var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];<br \/>\n  if (d.getElementById(id)) return;<br \/>\n  js = d.createElement(s); js.id = id;<br \/>\n  js.src = 'https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&version=v3.0&appId=171964893011161&autoLogAppEvents=1';<br \/>\n  fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);<br \/>\n}(document, 'script', 'facebook-jssdk'));<\/script>\n<div class=\"fb-share-button\" data-href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/viagem-a-regiao-oeste-do-japao\/\" data-layout=\"button_count\" data-size=\"large\" data-mobile-iframe=\"true\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=http%3A%2F% https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/viagem-a-regiao-oeste-do-japao%2F&amp;src=sdkpreparse\" class=\"fb-xfbml-parse-ignore\">Compartilhar<\/a><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 do conhecimento dos senhores fi\u00e9is, empreendi esta viagem \u00e0 Regi\u00e3o Oeste, a qual n\u00e3o visitava h\u00e1 um bom tempo. 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