{"id":10618,"date":"2022-03-28T08:26:38","date_gmt":"2022-03-28T11:26:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/?p=10618"},"modified":"2022-03-28T08:26:38","modified_gmt":"2022-03-28T11:26:38","slug":"indo-a-exposicoes-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/indo-a-exposicoes-ii\/","title":{"rendered":"INDO A EXPOSI\u00c7\u00d5ES (II)"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-10618\"  class=\"panel-layout\" ><div id=\"pg-10618-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-10618-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-10618-0-0-0\" class=\"so-panel widget_sow-editor panel-first-child\" data-index=\"0\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\"\n\t\t\t\n\t\t>\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n\t<p style=\"text-align: justify;\">A Exposi\u00e7\u00e3o Nikka-kai, que vi a seguir, me deixou pasmado. Meu c\u00e9rebro ficou revirado, com \u00f3dio, pessimismo e confus\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o eles em busca da Beleza. Beleza ou coisa que lhe valha, s\u00e3o-lhes desconhecidas. S\u00f3 vi a feiura. S\u00f3 o ato de ver j\u00e1 me foi penoso. Que fiz eu para sair de t\u00e3o longe, com este calor, e sofrer? \u00c9 o maior absurdo do mundo que algu\u00e9m passe por raiva ao ver pinturas. Cheguei mesmo a pensar que melhor seria eu jamais ter ido \u00e0quele lugar. Para ser franco, aquilo nunca foi pintura. N\u00e3o vi beleza nem arte alguma. O que havia eram apenas objetos planos, muit\u00edssimo monstruosos. Usualmente, a tela \u00e9 a express\u00e3o da Natureza. N\u00e3o \u00e9 nada mais nada menos que o ato de tornar mais bela e atraente a beleza natural, por interm\u00e9dio da arte. Nus semelhantes a cad\u00e1veres, multid\u00f5es parecidas com fantasmas. Era o retrato do pr\u00f3prio inferno. E n\u00e3o parava nisso: cruzamentos de linhas geom\u00e9tricas e o louco bailar de cores berrantes. Que desfa\u00e7atez em expor com orgulho tanta aberra\u00e7\u00e3o, como se fosse pintura! Eu n\u00e3o posso deixar de lamentar o desperd\u00edcio de tintas e telas. Tentei entender o estranho estado psicol\u00f3gico desses artistas, mas n\u00e3o me foi poss\u00edvel. Minha mente come\u00e7ou por ficar irritada. Pensei at\u00e9 que tal arte consistia num tipo de crime. Minha cabe\u00e7a ficou esquisita. N\u00e3o mais aguentei continuar vendo aquilo. Deixei o recinto. Senti-me aliviado ao olhar para o c\u00e9u azul de come\u00e7o de outono de Ueno. Senti-me como que salvo. Meditei profundamente sobre a Pintura a \u00f3leo moderna que acabara de ver. Trata-se de um abuso. Entrou-se por um meandro e ainda n\u00e3o se deu conta disso. Buscou-se, demasiadamente, um novo senso. S\u00e3o doentes graves do sadismo est\u00e9tico. \u00c9 uma mol\u00e9stia que come\u00e7ou a ser disseminada por Picasso da Fran\u00e7a. Mesmo eu n\u00e3o deixo de compreender um Matisse, um Rouault, ou um Bonnard. Em se tratando de Picasso, contudo, eu sou um verdadeiro leigo. Terminaram nesse estado por terem tido sua alma inteiramente dominada pela express\u00e3o da personalidade. S\u00e3o fantasmas da sua personalidade. Em outras palavras, s\u00e3o almas penadas do subjetivismo. Almas penadas do subjetivismo n\u00e3o s\u00e3o apenas os pintores de hoje. Vagam elas por toda a parte, mas os pintores, em especial, s\u00e3o as de mais dif\u00edcil trato. Pelos meus humildes estudos, os chamados grandes mestres e artistas de renome da \u00e9poca que se estende, na China, desde a dinastia Sung e, no Jap\u00e3o, a partir da era Ashikaga, at\u00e9 os dias de hoje, jamais, sem exce\u00e7\u00e3o, se desviaram do objetivismo. Seu rigoroso subjetivismo esteve envolvido pelo objetivismo. Exemplificando, o subjetivismo seria o esqueleto, no caso do homem. Por envolverem a carne e a pele aos ossos \u00e9 que h\u00e1 a beleza do objetivismo. Todavia, a Pintura a \u00f3leo de hoje \u00e9 destitu\u00edda da pele e da carne. O que h\u00e1 s\u00e3o ossos expostos. N\u00e3o existe Beleza nem Arte. Caso persistam nessa sua cegueira, eles acabar\u00e3o por se arruinar. Por estar ciente de tal fato \u00e9 que lhes apresento meu conselho amargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caminho de volta para casa, vi a Exposi\u00e7\u00e3o Seiryu. Fazendo jus ao t\u00edtulo de Padroeira da Arte de Ambiente, de fato, nela se dispunham, apertadamente, telas imensas. Eximindo-me de contemporiza\u00e7\u00f5es, a impress\u00e3o que tive foi de um marasmo geral, n\u00e3o havendo ind\u00edcio algum de progresso. Sintetizando, tudo era por demais ruidoso. Era verborragia. Um \"jazz\" de cores. Algo que simplesmente causava vertigens. Todos os quadros haviam sido exageradamente pintados. Depois de v\u00ea-los, n\u00e3o se apreciava um sentimento parecido com a resson\u00e2ncia, tampouco inspiravam serenidade. Eram de um exibicionismo man\u00edaco. Reconhe\u00e7o que a excentricidade tamb\u00e9m tenha seu lugar. Compreendo a inten\u00e7\u00e3o de se querer extrair a beleza daquilo que passa desapercebido. Todavia, se tal atitude venha a ignorar as regras da pintura, n\u00e3o tem sentido. A agonia de tentar transformar em pintura o que a ela n\u00e3o se ad\u00e9qua, n\u00e3o pode deixar de irritar o apreciador. O inc\u00eandio do pavilh\u00e3o Kinkaku-ji, de autoria de Ryushi, \u00e9 pass\u00e1vel. Pe\u00e7o v\u00eania, no entanto, para lhe dar um conselho. A condi\u00e7\u00e3o absoluta da pintura \u00e9 a nobreza. \u00c9 a sua dignidade. Vendo a Exposi\u00e7\u00e3o Seiryu, n\u00e3o pude evitar a sensa\u00e7\u00e3o de que nela faltava tal atributo. Ela est\u00e1 ainda por demais apegada \u00e0 arte de ambiente. O que \u00e9 isso sen\u00e3o uma heresia? Caso se queira proporcionar satisfa\u00e7\u00e3o ao ser humano por meio da Beleza, \u00e9 imposs\u00edvel desviar-se da decora\u00e7\u00e3o de interiores. A arte que n\u00e3o d\u00e1 prazer, exceto em exposi\u00e7\u00f5es, perde metade de seu valor como tal. \u00c9 o fantasma do apego. Indo mais al\u00e9m, dir\u00edamos que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um capricho do artista. Foi por pensar em voc\u00ea que me permiti falar duramente, sem acanhamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, desejo dizer a voc\u00eas, pintores, que a sua atividade se defronta com um muro, sem encontrar sa\u00edda. Enquanto n\u00e3o ultrapassarem essa parede, a \u00fanica coisa que os espera \u00e9 o horr\u00edvel fado da autodestrui\u00e7\u00e3o. Em especial, digo a voc\u00eas, pintores do estilo ocidental, que \u00e9 vergonhoso querer atrair o p\u00fablico com o tamanho das telas, o peso das pedras ou a dan\u00e7a. O que seria tal atitude sen\u00e3o o gemido do artista que sofreu boicote por parte do ser humano?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jornal Eiko, n\u00ba 71 \u2014 27 de setembro de 1950<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-10618-0-0-1\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html panel-last-child\" data-index=\"1\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%2Fensinamentos%2Farte%2Findo-a-exposicoes-ii&width=174&layout=button_count&action=like&size=large&share=true&height=46&appId=171964893011161\" width=\"174\" height=\"46\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#appId=APP_ID&amp;xfbml=1\"><\/script><fb:comments href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/indo-a-exposicoes-ii\" num_posts=\"100\" width=\"500\"><\/fb:comments><meta property=\"fb:app_id\" content=\"171964893011161\">\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<script>(function(d, s, id) {<br \/>\n  var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];<br \/>\n  if (d.getElementById(id)) return;<br \/>\n  js = d.createElement(s); js.id = id;<br \/>\n  js.src = 'https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&version=v3.0&appId=171964893011161&autoLogAppEvents=1';<br \/>\n  fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);<br \/>\n}(document, 'script', 'facebook-jssdk'));<\/script>\n<div class=\"fb-share-button\" data-href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/indo-a-exposicoes-ii\/\" data-layout=\"button_count\" data-size=\"large\" data-mobile-iframe=\"true\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=http%3A%2F% https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/indo-a-exposicoes-ii%2F&amp;src=sdkpreparse\" class=\"fb-xfbml-parse-ignore\">Compartilhar<\/a><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Exposi\u00e7\u00e3o Nikka-kai, que vi a seguir, me deixou pasmado. 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