{"id":10894,"date":"2022-06-01T13:44:03","date_gmt":"2022-06-01T16:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/?p=10894"},"modified":"2022-06-01T13:44:03","modified_gmt":"2022-06-01T16:44:03","slug":"a-pintura-japonesa-hoje-prestes-ao-fenecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/a-pintura-japonesa-hoje-prestes-ao-fenecimento\/","title":{"rendered":"A PINTURA JAPONESA: HOJE PRESTES AO FENECIMENTO"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-10894\"  class=\"panel-layout\" ><div id=\"pg-10894-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-10894-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-10894-0-0-0\" class=\"so-panel widget_sow-editor panel-first-child\" data-index=\"0\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\"\n\t\t\t\n\t\t>\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n\t<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, fui ver as exposi\u00e7\u00f5es, que ora acontecem, do Instituto Japon\u00eas de Artes e da Sociedade Seiryu. N\u00e3o poderia ficar, jamais, sem referir as impress\u00f5es daquilo que eu vi; raz\u00e3o pela qual aqui as escrevo. Tratarei, primeiramente, da Exposi\u00e7\u00e3o do Instituto Japon\u00eas de Artes. Ao entrar no recinto da mostra, fiquei surpreendido. Pensei ter-me equivocado e n\u00e3o me achar no lugar certo, porque ao lado realizavam-se as exposi\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Nikakai e da Sociedade de Artes Kodo. Entretanto, olhando com aten\u00e7\u00e3o, vi que as pe\u00e7as haviam sido executadas n\u00e3o com tinta a \u00f3leo, mas sim com pigmentos japoneses. Certifiquei-me, por isso, estar mesmo na exposi\u00e7\u00e3o do Instituto, sem, contudo, poder convencer-me de todo. Aventei a possibilidade de se tratarem de obras criadas por algum artista pl\u00e1stico cuja especialidade fosse a pintura ocidental, o qual come\u00e7ara a empregar os mencionados pigmentos. Entrementes, ao ingressar na sua terceira sala, defrontei-me com uma pe\u00e7a de Taikan. Convenci-me, finalmente, estar de fato numa exposi\u00e7\u00e3o do Instituto, e, ao mesmo tempo, fui invadido por um sentimento de indiz\u00edvel tristeza. Se se tratasse de uma exposi\u00e7\u00e3o de artistas de fama recentemente adquirida, aquilo ainda seria desculp\u00e1vel. A do Instituto, contudo, al\u00e9m de registrar uma hist\u00f3ria relativamente antiga, trata-se de um dos pilares da pintura japonesa moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quarenta anos, Tenshin Okakura, com o prop\u00f3sito de reabilitar Korin na atualidade, reuniu, sob as asas de seu \u00edmpeto incontido, Taikan, Shunso, Kanzan e Buzan, escolhendo-os como seus quatro principais disc\u00edpulos, e lan\u00e7ou um gigantesco petardo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade da pintura japonesa, que, at\u00e9 aquela \u00e9poca, n\u00e3o lograra desvencilhar-se da carapa\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o. A ousadia e a acuidade dos planos do Mestre Tenshin foram verdadeiramente revolucion\u00e1rias. Como era de se esperar, os pintores puseram-se em movimento. No in\u00edcio, a rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o intensa, pois ele n\u00e3o obteve o reconhecimento geral. Todavia \u2014 como \u00e9 fato conhecido \u2014 as aten\u00e7\u00f5es foram atra\u00eddas pela Escola Tenshin e, finalmente, sua exist\u00eancia tornou-se a figura dileta dos c\u00edrculos da Pintura japonesa. Para compensar, em Quioto, apareceu outro grande g\u00eanio. Seu nome, Seiho Takeuchi. Sua t\u00e9cnica sobre-humana, dotada de um sabor diverso do da Escola Tenshin, dominou as aten\u00e7\u00f5es. Em parelha com Taikan, t\u00eam-se aqui os dois le\u00f5es do Leste e do Oeste. Lamentavelmente, por\u00e9m, traindo as expectativas nele depositadas, Seiho morreu. E n\u00e3o foi s\u00f3. Kansetsu \u2014 aquele que era considerado o seu herdeiro \u2014 tamb\u00e9m veio a falecer. Faleceram prematuramente, ainda, Keisen e Bakusen. Desta maneira, o mundo da Pintura japonesa deslocou-se para o Oeste, onde, at\u00e9 hoje, permanece. No que diz respeito \u00e0s exposi\u00e7\u00f5es, restaram apenas duas: a promovida pelo Instituto de Artes e a realizada pela Sociedade Seiryu. Portanto, se a primeira, que, no caso, \u00e9 a cabe\u00e7a do par, reduziu-se ao que foi descrito, a Pintura japonesa encontra-se frente a frente com uma grande calamidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passemos, a seguir, para a Exposi\u00e7\u00e3o Seiryu. Tamb\u00e9m esta em nada mudou, n\u00e3o se acusando nela quase que progresso algum. No que toca \u00e0 pe\u00e7a Ryorobon, de autoria de seu mandachuva \u2014 Ryushi \u2014, para falar sem cerim\u00f4nia, trata-se de um fracasso. O ponto pass\u00edvel de maior reprova\u00e7\u00e3o nesta obra reside, sobretudo, no estorvo representado pelo contorno negro que tudo circunda. Ouvi dizer que n\u00e3o foi pintada com tinta nanquim convencional, mas com uma obtida da carboniza\u00e7\u00e3o de n\u00e3o sei que mat\u00e9ria. Seja como for, o que se pode declarar \u00e9 que acabou por estragar a tela inteira. No instante em que vi tal quadro, julguei que seria uma boa obra, se tivesse sido executada a nanquim dilu\u00eddo. Farei agora a cr\u00edtica global da exposi\u00e7\u00e3o. Apreciando o conjunto (se se trata de arte de ambiente, n\u00e3o sei), o que digo \u00e9 que a maioria das pe\u00e7as ignora por demais o foco. Fazendo uma avalia\u00e7\u00e3o negativa, s\u00e3o muitas as obras que se assemelham a papel de parede. Ademais, tamb\u00e9m pobres em senso est\u00e9tico: a maioria das pe\u00e7as assume o feitio de esbo\u00e7os. O que \u00e9 certo \u00e9 que carecem de profundidade e de nobreza, estando completamente ausente nelas o sopro vital da Pintura do Oriente. Em rela\u00e7\u00e3o a esse aspecto, no que tange a esta exposi\u00e7\u00e3o, considerei as obras de menor porte infinitamente melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, manifesto o que espero de Ryushi. \u00c9 plaus\u00edvel afirmar que a sua t\u00e9cnica \u00e9 uma das primeiras. Contudo, ao contr\u00e1rio do que era de se desejar, tal fator o atrapalha. Pela tend\u00eancia de pintar de forma excessiva, levado por extrema habilidade, a tela \u2014 no conjunto \u2014 torna-se agitada, desprovida de calma e parcim\u00f4nia. Inquestionavelmente, a natureza da Pintura oriental est\u00e1 na estabilidade e n\u00e3o no dinamismo. Este \u00faltimo, de fato, \u00e9 tolerado pela \u00e9poca. Contudo, virando \"jazz\", p\u00f5e-se tudo a perder. Outrossim, seus esbo\u00e7os sobre viagens est\u00e3o interessantes, causando deleite. Apontando o seu defeito, entretanto, tamb\u00e9m neles o l\u00e1pis trabalhou demais. Acho que seria melhor que fossem um pouco mais suaves\u2026 Como j\u00e1 disse antes, os eloquentes, embriagando-se com o prazer do discurso, desviam-se do assunto, falando at\u00e9 o desnecess\u00e1rio. Creio n\u00e3o ser somente eu quem pense assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero discutir, na \u00edntegra, a seguir, sobre a pintura japonesa contempor\u00e2nea no seu todo. Tratemos, inicialmente, dos seus temas recentes. Convenhamos que, hoje, temas como Dharma, Arahan, Hanshan e Shiht'e, Putai, drag\u00f5es, paisagens chinesas e outros est\u00e3o muito batidos, n\u00e3o se adequando \u00e0 \u00e9poca. Todavia, esbo\u00e7os do nosso cotidiano tamb\u00e9m n\u00e3o agu\u00e7am o interesse. Tomemos o exemplo de objetos desprovidos de qualquer beleza, como os que existem a\u00ed pelas ruas ou no interior de nossas resid\u00eancias. O fato de serem eles pintados com o objetivo de torn\u00e1-los belos \u00e0 for\u00e7a, n\u00e3o seria em v\u00e3o? Penso que, por maior que seja a habilidade com a qual tenham sido retratados, n\u00e3o provocar\u00e3o nenhum fasc\u00ednio em quem os contempla. Tal empenho, ainda, talvez, consista no resultado da imita\u00e7\u00e3o da pintura ocidental. Contudo, em se ignorando as regras da pintura japonesa como tal, esta perde o que tem de bom. Portanto, escusado dizer que, na escolha da tem\u00e1tica, \u00e9 mister tomar algo que possua nobreza art\u00edstica. Com rela\u00e7\u00e3o a este aspecto, deve haver uma infinidade de temas, em vista da excel\u00eancia da paisagem japonesa e da abund\u00e2ncia de esp\u00e9cimes de sua flora. Devo observar, todavia, que o tratamento dispensado ao tema sobre flores \u2014 retratadas com frequ\u00eancia pelos grandes mestres da atualidade \u2014 e demasiadamente \u00e1gua com a\u00e7\u00facar. No caso das mesmas, \u00e9 uma l\u00e1stima que sejam poucas as pe\u00e7as cuja aprecia\u00e7\u00e3o causa impacto, como acontece com as da Escola Korin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outrossim, como foi veiculado pelos jornais, promover-se-\u00e3o em cinco metr\u00f3poles norte-americanas, a come\u00e7ar por Washington, exposi\u00e7\u00f5es de arte japonesa antiga. Os encarregados de tal empreendimento, o Sr. Wenry, Diretor do Museu Freyer, e o Sr. Priest, Chefe do Departamento de Arte Oriental do Museu Metropolitano de Nova Iorque, por ocasi\u00e3o de sua vinda a este pa\u00eds, visitaram individualmente o Museu de Arte de Hakone. Na oportunidade, entrevistei-me, pessoalmente, com eles. Ambos os senhores n\u00e3o demonstraram interesse pela pintura japonesa contempor\u00e2nea. Apenas n\u00e3o pouparam elogios ao rolo de autoria de Seiho, retratando pardais e bambus. Chegaram mesmo a dizer que o queriam adquirir. Ademais, os dois senhores s\u00e3o considerados autoridades nos c\u00edrculos art\u00edsticos dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, e eu levei um susto com a agudeza de seu senso de aprecia\u00e7\u00e3o. Posteriormente, o doutor Warner tamb\u00e9m veio ao Jap\u00e3o. T\u00ednhamos um encontro marcado, mas, em virtude do seu cansa\u00e7o (pois ele j\u00e1 est\u00e1 em idade avan\u00e7ada), fomos obrigados a cancelar o programa, deixando para outra oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 aqui um fato que necessita ser suficientemente ponderado. O julgamento dos norte-americanos n\u00e3o se deriva da obsess\u00e3o por antiguidades, ao afirmarem que as obras recentes nada valem, ou que as pe\u00e7as antigas s\u00e3o preciosas. Eles amam as obras de arte antiga, apreciando-as, realmente, de uma perspectiva imparcial. Com respeito a este ponto, tamb\u00e9m eu penso de maneira id\u00eantica, sem questionar a idade das pe\u00e7as de arte. Para mim, basta que tenham sido bem executadas e que me agradem. As pinturas antigas, por\u00e9m, s\u00e3o infinitamente superiores, enquanto as recentes s\u00e3o med\u00edocres, a ponto de n\u00e3o se poder estabelecer um cotejo entre elas. Segundo os diletantes norte-americanos, as pe\u00e7as dos grandes mestres franceses atuais alcan\u00e7am valores extremamente altos, sendo disputad\u00edssimas. Em contrapartida, na exposi\u00e7\u00e3o internacional recentemente realizada na Fran\u00e7a, os \u00f3leos pintados por japoneses n\u00e3o tiveram boa aceita\u00e7\u00e3o, o que mostra que a pintura ocidental do Jap\u00e3o decididamente n\u00e3o chegou a um n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrementes, no que tange \u00e0 pintura japonesa, por se tratar da arte m\u00e1xima particular do Jap\u00e3o, em \u00e2mbito mundial, seria uma op\u00e7\u00e3o inteligente que se envidassem mais esfor\u00e7os nela. Todavia, provavelmente, por n\u00e3o se darem conta de tal necessidade, os artistas nip\u00f4nicos de hoje ocupam-se inteiramente em ficar copiando, com ardoroso esfor\u00e7o, a pintura a \u00f3leo. Assim, por melhores que saiam tais obras, n\u00e3o passar\u00e3o, afinal, de meras imita\u00e7\u00f5es. Portanto, nesta oportunidade, reformulando o mais r\u00e1pido poss\u00edvel sua maneira de pensar, seria aconselh\u00e1vel que se dedicassem com decis\u00e3o e exclusividade \u00e0 pintura japonesa. Desnecess\u00e1rio dizer que se deve ter como meta a produ\u00e7\u00e3o de obras-primas que ultrapassem as pe\u00e7as antigas. Caso sejam elas expostas nos palcos do mundo, posso afirmar, sem hesita\u00e7\u00e3o, que o que acontecer\u00e1 \u00e9 que os artistas pl\u00e1sticos estrangeiros vir\u00e3o atr\u00e1s da pintura nip\u00f4nica, introduzindo o seu estilo na especialidade a \u00f3leo. Com respeito a tal atitude, desejo que voc\u00eas recordem um fato. \u00c9 sobre a Pintura ocidental hodierna, a qual devotam a sua adora\u00e7\u00e3o. Saibam que as suas ra\u00edzes acham-se na sugest\u00e3o retirada da obra de Korin, as quais evolu\u00edram at\u00e9 atingir o est\u00e1gio atual. Na primeira metade do s\u00e9culo XIX, quando o estilo renascentista avan\u00e7ara at\u00e9 alcan\u00e7ar o seu cume \u2014 o Realismo \u2014, ela acabou por entrar num beco sem sa\u00edda. Quem, subitamente, despertou esses artistas foi Korin. Gra\u00e7as a esse impulso, o mundo da pintura ocidental de ent\u00e3o foi repentinamente convulsionado. Ao constatar tal grandeza de nossos ancestrais, deploro imensamente a mediocridade dos pintores modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dias atr\u00e1s, a senhora Davit, diretora da Unesco francesa, visitou o nosso museu, e a pe\u00e7a de que mais gostou foi a famosa xilogravura ukiyo-e pintada \u00e0 m\u00e3o, A banhista, da Era Momoyama. Comovida por esta obra, a referida senhora revelou seu desejo de reproduzi-la e, com ela, apresentar, nas sedes da Unesco espalhadas pelo mundo inteiro, a natureza superior da cultura japonesa. Recentemente, recebi o pedido oficial do Departamento de Assuntos Culturais da Unesco, via Minist\u00e9rio dos Assuntos Estrangeiros do Jap\u00e3o, o qual deferi de muito bom grado. As reprodu\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo executadas pela Ohtsuka Kogeisha. O que lamento, em semelhantes casos, \u00e9 o fato de a Pintura atual ser completamente ignorada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vim escrevendo, desordenamente, as minhas impress\u00f5es, mas, em suma, a pintura japonesa confronta-se agora com o instante decisivo de vida ou morte. Desejo veementemente que, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, possa ela escapar deste perigo. Outrossim, na presente exposi\u00e7\u00e3o do Instituto Japon\u00eas de Artes, o que me surpreendeu foi o fato de Taikan \u2014 aquele que manteve at\u00e9 hoje uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a inabal\u00e1vel, sem sujeitar-se aos caprichos da moda \u2014 ter adotado um estilo de pintar \u00e0 moda ocidental extremamente sem seriedade. Vendo semelhante insensatez, n\u00e3o pude evitar que meus olhos se umedecessem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, desejo ardentemente escrever sobre o que penso acerca das pinturas oriental e ocidental, de um amplo ponto de vista. Considero eu que a pintura japonesa \u00e9 a que consiste na verdadeira Arte. Julgo n\u00e3o se poder afirmar que a pintura ocidental seja Arte. Antes de mais nada, tomemos as formas como s\u00e3o tratadas. A pintura japonesa existe com o objetivo de ser ela pr\u00f3pria apreciada, para o que existe o tokonoma. Ademais, conforme a mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es, procede-se \u00e0 sua substitui\u00e7\u00e3o. Opostamente, os quadros de Pintura ocidental s\u00e3o apenas indiscriminadamente dependurados pelas paredes, sem que haja necessidade de serem trocados. Assim, para falar com franqueza, tratam-se de uma modalidade de m\u00f3veis finos. Al\u00e9m do mais, na sua execu\u00e7\u00e3o, a pintura oriental \u00e9 tra\u00e7ada, enquanto a ocidental \u00e9 recoberta de tinta. Por isso, na pintura oriental, o pincel tra\u00e7a com impetuosidade, de um s\u00f3 golpe. Neste exclusivo tra\u00e7ar \u00e9 que reside a energia da vida. Tal fato \u00e9, tamb\u00e9m, compreens\u00edvel quando tomamos a caligrafia como exemplo. Esta vive, por ser executada em um \u00fanico \u00edmpeto. Os ideogramas retocados tornam-se mortos. Por tal motivo, eu considero a pintura japonesa Arte, enquanto classifico a ocidental entre a Arte e o Artesanato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual o motivo, ent\u00e3o, da decad\u00eancia da pintura japonesa de hoje? Sem d\u00favida, a causa fundamental est\u00e1 na ilus\u00e3o advinda de se misturar a Arte com a Ci\u00eancia. Considero que \u00e9 porque a tend\u00eancia de venerar as coisas do Ocidente tenha se estendido at\u00e9 as Artes, em consequ\u00eancia do engano provocado pelo maravilhoso progresso cient\u00edfico. Em contrapartida, \u00e9 fato verdadeiro que a atra\u00e7\u00e3o que os intelectuais das na\u00e7\u00f5es do Ocidente experimentam pelas Artes orientais torna-se cada vez mais densa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vim, deste modo, escrevendo polidamente, mas, em suma, o que quero \u00e9 que, pelo menos no campo art\u00edstico, se deixe de adorar o Ocidente e se pesquise e se tome nova conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito da Arte antiga do Jap\u00e3o, da China e da Cor\u00e9ia. Sobre este fator, fa\u00e7o o seguinte registro. Ao Museu de Artes de Hakone, convergem todas as classes de pessoas, mas, curiosamente, quase n\u00e3o v\u00eam pintores. Meditando a tal respeito, conclu\u00ed que os pintores contempor\u00e2neos, uma vez que aspiram \u00e0 pintura a \u00f3leo, talvez considerem n\u00e3o ser conveniente ver obras antigas, pelo que n\u00e3o posso conter um longo suspiro. Se eles n\u00e3o se tornarem cientes de semelhante fato, mais cedo ou mais tarde, ser\u00e3o abandonados n\u00e3o s\u00f3 pelos estrangeiros, mas pelos pr\u00f3prios compatriotas. O fim da pintura nip\u00f4nica trata-se apenas de uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jornal Eiko, n\u00ba 78 \u2014 15 de outubro de 1952<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-10894-0-0-1\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html panel-last-child\" data-index=\"1\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%2Fensinamentos%2Farte%2Fa-pintura-japonesa-hoje-prestes-ao-fenecimento&width=174&layout=button_count&action=like&size=large&share=false&height=46&appId=171964893011161\" width=\"174\" height=\"46\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#appId=APP_ID&amp;xfbml=1\"><\/script><fb:comments href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/a-pintura-japonesa-hoje-prestes-ao-fenecimento\" num_posts=\"100\" width=\"500\"><\/fb:comments><meta property=\"fb:app_id\" content=\"171964893011161\">\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<script>(function(d, s, id) {<br \/>\n  var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];<br \/>\n  if (d.getElementById(id)) return;<br \/>\n  js = d.createElement(s); js.id = id;<br \/>\n  js.src = 'https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&version=v3.0&appId=171964893011161&autoLogAppEvents=1';<br \/>\n  fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);<br \/>\n}(document, 'script', 'facebook-jssdk'));<\/script>\n<div class=\"fb-share-button\" data-href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/a-pintura-japonesa-hoje-prestes-ao-fenecimento\/\" data-layout=\"button_count\" data-size=\"large\" data-mobile-iframe=\"true\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=http%3A%2F% https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/a-pintura-japonesa-hoje-prestes-ao-fenecimento%2F&amp;src=sdkpreparse\" class=\"fb-xfbml-parse-ignore\">Compartilhar<\/a><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, fui ver as exposi\u00e7\u00f5es, que ora acontecem, do Instituto Japon\u00eas de Artes e da Sociedade Seiryu. 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