{"id":744,"date":"2018-06-21T22:46:07","date_gmt":"2018-06-22T01:46:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/?p=744"},"modified":"2018-07-05T13:27:46","modified_gmt":"2018-07-05T16:27:46","slug":"devemos-ou-nao-devemos-fazer-dividas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/sociedade\/devemos-ou-nao-devemos-fazer-dividas\/","title":{"rendered":"DEVEMOS OU N\u00c3O DEVEMOS FAZER D\u00cdVIDAS?"},"content":{"rendered":"<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Durante mais de vinte anos, provei sofrimentos causados pelas d\u00edvidas. Para que possam fazer uma ideia, recebi v\u00e1rias intima\u00e7\u00f5es judiciais e sofri uma fal\u00eancia. A &#8220;filosofia da d\u00edvida&#8221;, da qual falarei a seguir, baseia-se nas conclus\u00f5es que tirei de todas estas experi\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Farei uma an\u00e1lise da pessoa que est\u00e1 para fazer um empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Existem empr\u00e9stimos ativos e passivos. O empr\u00e9stimo ativo \u00e9 aquele que se faz quando se vai come\u00e7ar um empreendimento, j\u00e1 calculando que uma quantia X vai dar um lucro Y; isto \u00e9, faz-se o c\u00e1lculo de modo que sobre algum dinheiro mesmo depois de subtra\u00eddos os juros. Esse tipo de empr\u00e9stimo todos conhecem. Entretanto, no caso dos empr\u00e9stimos passivos, sai mais dinheiro do que entra, por isso ele est\u00e1 sempre faltando.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum a pessoa fazer d\u00edvidas por n\u00e3o haver outra alternativa. Quando as coisas come\u00e7am a apertar, ela n\u00e3o consegue pensar no futuro. Diante de uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, tenta livrar-se dos compromissos imediatos, sem levar em considera\u00e7\u00e3o se os juros s\u00e3o altos ou baixos; o importante, para ela, \u00e9 conseguir o empr\u00e9stimo. Muitos an\u00fancios publicados atualmente nos jornais, sobre a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos, s\u00e3o desse tipo. Podemos dizer que, a essa altura, entre dez dessas pessoas, oito ou nove est\u00e3o a um passo do abismo.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Esta classifica\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o feita a grosso modo. Agora vamos analisar o caso de n\u00e3o se fazer o empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a-se o empreendimento com o capital que se possui no momento. Mesmo que seja um neg\u00f3cio de pequeno porte, n\u00e3o h\u00e1 outro recurso. Suponhamos, por exemplo, que se tenha cem mil ienes. Inicialmente, emprega-se a metade ou um ter\u00e7o desse capital. Como o restante fica guardado, poder-se-\u00e1 pensar que o neg\u00f3cio progredir\u00e1 muito lentamente. Al\u00e9m disso, esses cem mil ienes devem ser obtidos com o esfor\u00e7o pr\u00f3prio, sem a ajuda de ningu\u00e9m, pois assim estar\u00e3o impregnados de suor e ter\u00e3o for\u00e7a. Depois, inicia-se o empreendimento, que deve ser do menor porte poss\u00edvel. Exemplifiquemos.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Comecei o m\u00e9todo de terapia pela F\u00e9 no m\u00eas de maio de 1934, alugando uma casa de cinco c\u00f4modos por setenta e sete ienes. Estava situada na rua Hiraga-tyo, no bairro de Koji Mati (T\u00f3quio). Achei que era uma casa boa demais; entretanto, como as condi\u00e7\u00f5es eram \u00f3timas, decidi alug\u00e1-la. Na \u00e9poca, eu ainda tinha muitas d\u00edvidas, mas fiz esse empreendimento pensando em praticar a filosofia para a qual despertara atrav\u00e9s delas. As ideias sobre esse princ\u00edpio filos\u00f3fico me foram fornecidas pela Grande Natureza. Podemos entend\u00ea-lo observando os seres humanos. A crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida, com o passar dos meses e dos anos, vai crescendo cada vez mais, e a sua for\u00e7a e intelig\u00eancia tornam-se adultas. O mesmo acontece com as plantas. Plantando-se uma pequena semente, ela germina, formando um broto; a seguir saem duas folhinhas e, depois das folhas propriamente ditas, o caule se desenvolve, os galhos se expandem, at\u00e9 que a planta se torna uma enorme \u00e1rvore. Esta \u00e9 a verdade. Portanto, os seres humanos precisam seguir esse exemplo. Eu tive a revela\u00e7\u00e3o de que, praticando fielmente o princ\u00edpio acima, n\u00e3o deixaria de obter grande sucesso. Decidi, pois, em qualquer empreendimento, partir da menor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">A maior parte das pessoas, no entanto, tenta fazer coisas grandes e aparatosas desde o come\u00e7o. Observando bem, vemos que a maioria acaba fracassando. Quase todos os empreendimentos da sociedade s\u00e3o assim. As pessoas come\u00e7am por neg\u00f3cios de grande porte e s\u00f3 depois de fracassarem \u00e9 que, for\u00e7adas pelas circunst\u00e2ncias, seguem a ordem, ou seja, come\u00e7am tudo de novo, fazendo pequenos empreendimentos. S\u00f3 ent\u00e3o \u00e9 que conseguem sucesso.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, os neg\u00f3cios nunca se processam de acordo com a l\u00f3gica ou com os c\u00e1lculos. Existem v\u00e1rios motivos para isso, mas o mais importante \u00e9 a influ\u00eancia da mente. Como o dia do vencimento da d\u00edvida nunca deixa de chegar, aconte\u00e7a o que acontecer, essa preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 continuamente martelando a cabe\u00e7a da pessoa. Naturalmente, a realidade nunca acompanha os planos. Com essa preocupa\u00e7\u00e3o constante na mente, n\u00e3o surgem boas ideias. Esse \u00e9 o ponto mais desvantajoso. Ora, com os bolsos sempre vazios, as pessoas n\u00e3o t\u00eam vitalidade. Mesmo que se enfeitem exteriormente, s\u00e3o pobres material e espiritualmente. Por isso, mostram-se inibidas em todos os seus empreendimentos, n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a para crescer, est\u00e3o sempre descontentes. Os comerciantes, por exemplo, n\u00e3o conseguem fazer compras mesmo que as mercadorias estejam baratas; consequentemente, deixam de lucrar. Como a maioria prorroga o prazo do pagamento da d\u00edvida, a confian\u00e7a dos outros diminui. Se o prazo se prolonga por muito tempo, come\u00e7am a correr juros em cima de juros. A essa altura, a pessoa come\u00e7a a se afobar e for\u00e7a a situa\u00e7\u00e3o. Quando isso acontece, \u00e9 o seu fim. Eu sempre fa\u00e7o advert\u00eancias sobre a afoba\u00e7\u00e3o e as situa\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, mas a maioria das pessoas n\u00e3o percebe isso. Mesmo que momentaneamente os resultados sejam bons, eles nunca duram muito tempo.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Os famosos senhores feudais Nobunaga e Hideyoshi, por exemplo, fracassaram porque se afobaram e for\u00e7aram situa\u00e7\u00f5es. Em contrapartida, o dom\u00ednio da dinastia Tokugawa durou trezentos longos anos porque, nos m\u00e9todos empregados por Ieyassu, seu fundador, n\u00e3o houve afoba\u00e7\u00e3o ou situa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada nem mesmo para ele assumir o poder. Ieyassu utilizava-se da famosa t\u00e1tica de &#8220;ceder para vencer&#8221;, quando achava que a situa\u00e7\u00e3o estava um pouco dif\u00edcil: esperava a oportunidade prop\u00edcia, isto \u00e9, aguardava que o tempo ficasse a seu favor. Assim, fez com que o poder rolasse naturalmente para as suas m\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Eis o conselho de Ieyassu: &#8220;<em>A vida do homem \u00e9 como uma longa caminhada carregando um pesado fardo. N\u00e3o se deve ter pressa&#8221;<\/em>. Essas palavras expressam muito bem o seu car\u00e1ter. A derrota do Jap\u00e3o, nesta \u00faltima guerra, teve v\u00e1rias causas, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a afoba\u00e7\u00e3o e as situa\u00e7\u00f5es for\u00e7adas foram fatores decisivos, embora, desde o in\u00edcio, o procedimento dos japoneses tenha sido errado.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se deve fazer empr\u00e9stimos para pagar d\u00edvidas, mas foi o que aconteceu no per\u00edodo final da guerra, e pelo mesmo motivo foi emitido dinheiro de maneira bem desordenada. Essa foi, em grande parte, a causa da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">A Inglaterra, logo ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do gabinete trabalhista, tomou dos Estados Unidos um empr\u00e9stimo de tr\u00eas bilh\u00f5es e setecentos milh\u00f5es de d\u00f3lares. Acho que seria uma boa iniciativa se, futuramente, n\u00e3o se tornasse motivo de problemas financeiros; mas, depois disso, foi preciso tomar empr\u00e9stimos em cima de empr\u00e9stimos. A desvaloriza\u00e7\u00e3o da libra tamb\u00e9m \u00e9 uma consequ\u00eancia desse fato. Na \u00e9poca em que o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico era pr\u00f3spero, sua receita anual elevava-se a tr\u00eas bilh\u00f5es de libras, provenientes de suas col\u00f4nias e de outras fontes. Que diferen\u00e7a entre a situa\u00e7\u00e3o atual e a situa\u00e7\u00e3o antiga! O equil\u00edbrio financeiro da Inglaterra, que at\u00e9 ent\u00e3o era um dos seus motivos de orgulho, acabou em tal estado ap\u00f3s o pa\u00eds passar por duas guerras. Foi um destino inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Pelo que foi exposto, fica evidenciada esta verdade: n\u00e3o se deve contrair d\u00edvidas, e, em todas as iniciativas, \u00e9 preciso come\u00e7ar de forma pequena. Gostaria que fizessem disso um lema a ser seguido. Contudo, quando se tem absoluta certeza de poder saldar a d\u00edvida em curto prazo, \u00e9 admiss\u00edvel contra\u00ed-la.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a minha filosofia da d\u00edvida, que eu recomendo a todos.<\/p>\n<p class=\"style3 style48\" style=\"text-align: right;\">12 de novembro de 1949<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe src=\"http:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/sociedade\/devemos-ou-nao-devemos-fazer-dividas\/&#038;%0Alayout=standard&#038;show_faces=false&#038;width=380&#038;action=like&#038;colorscheme=light&#038;height=25\" style=\"border: medium none ; overflow: hidden; width: 350px; height: 25px;\" allowtransparency=\"true\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#appId=APP_ID&amp;xfbml=1\"><\/script><fb:comments href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/sociedade\/devemos-ou-nao-devemos-fazer-dividas\/\" num_posts=\"100\" width=\"500\"><\/fb:comments><meta property='fb:app_id' content='171964893011161'\/> <\/p>\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><script>(function(d, s, id) {\n  var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];\n  if (d.getElementById(id)) return;\n  js = d.createElement(s); js.id = id;\n  js.src = 'https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&version=v3.0&appId=171964893011161&autoLogAppEvents=1';\n  fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);\n}(document, 'script', 'facebook-jssdk'));<\/script><\/p>\n<div class=\"fb-share-button\" data-href=\"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/sociedade\/devemos-ou-nao-devemos-fazer-dividas\/\" data-layout=\"button_count\" data-size=\"large\" data-mobile-iframe=\"true\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=http%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%2Fensinamentos%2Fsociedade%2Fdevemos-ou-nao-devemos-fazer-dividas%2F&amp;src=sdkpreparse\" class=\"fb-xfbml-parse-ignore\">Compartilhar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante mais de vinte anos, provei sofrimentos causados pelas d\u00edvidas. 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