{"id":9894,"date":"2021-11-08T08:36:10","date_gmt":"2021-11-08T11:36:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/?p=9894"},"modified":"2021-11-08T08:38:29","modified_gmt":"2021-11-08T11:38:29","slug":"minha-critica-sobre-pintura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/minha-critica-sobre-pintura\/","title":{"rendered":"MINHA CR\u00cdTICA SOBRE PINTURA"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-9894\"  class=\"panel-layout\" ><div id=\"pg-9894-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-9894-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-9894-0-0-0\" class=\"so-panel widget_sow-editor panel-first-child\" data-index=\"0\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\"\n\t\t\t\n\t\t>\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n\t<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o posso deixar de me lamentar profundamente quando analiso o mundo hodierno das Artes, em particular, o da Pintura. \u00c9 que o pr\u00f3prio pintor n\u00e3o discerne nada da verdadeira ess\u00eancia da Pintura. Gostaria de expor acerca de variados aspectos, mas, aqui, limitar-me-ei a alguns que, conquanto sejam de suma import\u00e2ncia, parecem passar desapercebidos. Temos, em primeiro lugar, a miss\u00e3o original da pintura. A ess\u00eancia da Pintura em si n\u00e3o reside no simples deleite do artista. Se o problema se encerrasse nesse aspecto, n\u00e3o haveria, ent\u00e3o, diferen\u00e7a alguma com o ato de uma crian\u00e7a divertir-se com os seus brinquedos. Caso exista semelhante pintor, sua exist\u00eancia \u00e9 in\u00fatil, e poder-se-\u00e1 dizer que ele n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um parasita. Consequentemente, o pintor deve trazer firmemente consigo a conscientiza\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea de ter nascido e do que deve fazer. A esse respeito, penso eu da seguinte forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde reside o significado da exist\u00eancia do pintor? Reside em proporcionar prazer visual ao maior n\u00famero poss\u00edvel de indiv\u00edduos e, atrav\u00e9s dos olhos, sublimar o esp\u00edrito deles. Elevar o n\u00edvel espiritual, torn\u00e1-lo melhor, faz\u00ea-lo mais belo \u2014 essa \u00e9 a verdadeira atividade pict\u00f3rica. De fato, a express\u00e3o da personalidade, a liberdade do esp\u00edrito criativo, bem como a tem\u00e1tica, s\u00e3o fatores importantes, e n\u00e3o h\u00e1 sentido algum em ultrapassar esses limites. Contudo, ao observar a pintura recente, n\u00e3o posso jamais assistir calado as suas aberra\u00e7\u00f5es. As pessoas de bom senso est\u00e3o franzindo o cenho diante dessas obras, por serem elas estranh\u00edssimas. Por maior que seja a boa vontade com que as vejamos, n\u00e3o expressam a menor beleza \u2014 s\u00e3o horrendas, e, mais do que desagrad\u00e1veis, chegam mesmo a provocar a ira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que executam com afeta\u00e7\u00e3o esse tipo de pintura, ao inv\u00e9s de manifestar sua personalidade, transmitem uma inten\u00e7\u00e3o subjetiva. Semelhantes quadros, quando deveriam sublimar a alma do admirador, despertam um efeito contr\u00e1rio. Toda vez que vejo quadros assim, sinto-me contrariado pelo desperd\u00edcio de tela e tinta. N\u00e3o serei s\u00f3 eu quem pensa desta forma. Por n\u00e3o haver motivo de tais quadros serem vendidos, ou\u00e7o ami\u00fade dizerem das dificuldades financeiras que cercam aqueles artistas. Desse modo, al\u00e9m de em nada contribu\u00edrem para a sociedade, eles pr\u00f3prios se veem em apuros. Diante dessa ocorr\u00eancia inteiramente negativa, acredita-se que deveriam perceber o seu engano, mas de tal n\u00e3o h\u00e1 nenhum ind\u00edcio. \u00c9 de se julgar, ent\u00e3o, que \u00e9 um tipo de dem\u00eancia. Eles pr\u00f3prios n\u00e3o devem saber a raz\u00e3o de estarem vivendo. Como exist\u00eancias v\u00e3s, s\u00e3o realmente dignos de piedade. Caso, despertando para a realidade, n\u00e3o voltem para a trilha correta, eles perder\u00e3o quem os leve a s\u00e9rio, rumando diretamente para a destrui\u00e7\u00e3o. O que acabo de comentar concerne \u00e0 Pintura ocidental. \u00c9 prov\u00e1vel que todos compartilhem do meu pensar, uma vez que ou\u00e7o muitas cr\u00edticas pertinentes. Contudo, desejo falar algo que ningu\u00e9m parece notar. Quero dizer que, originalmente, o verdadeiro \u00e2mago da Pintura \u00e9 a sua dignidade, a sua altivez. Tais qualidades s\u00e3o quase que inerentes \u00e0 Pintura oriental, sendo, por\u00e9m, pouco ou quase que inexistentes na ocidental. Verdade \u00e9 que esta por si mesma \u00e9 mais popular e, pelo car\u00e1ter de insepar\u00e1vel da vida das massas, a falta das referidas qualidades torna-se inevit\u00e1vel. Mesmo assim, a pintura ocidental deve possuir o seu sabor peculiar como tal. Todavia, o problema da Arte hodierna n\u00e3o est\u00e1 na nobreza ou baixeza de n\u00edvel. O \u00e2mago de sua beleza j\u00e1 se perdeu h\u00e1 muito, nada restando nela. A impress\u00e3o que se recebe desses quadros \u00e9 a pr\u00f3pria fealdade; nada mais que mal-estar, antipatia, c\u00f3lera, desespero. Tais pintores formam um tipo de anormalidade mental. Por isso, toda vez que compare\u00e7o a exposi\u00e7\u00f5es assim, eu imagino que, se os pacientes de um hosp\u00edcio organizassem uma mostra, ter-se-ia algo id\u00eantico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desejo, ainda, discorrer um pouco sobre a Pintura japonesa. \u00c9 plaus\u00edvel afirmar que tamb\u00e9m esta, ultimamente, perdeu muito no que diz respeito \u00e0 classe; vale notar, todavia, que a classe \u00e9, originalmente, uma das caracter\u00edsticas da Pintura do Oriente. Sempre ao ter contato com pinturas de renome da China e do Jap\u00e3o, assumo naturalmente uma postura de respeito, impressionado pela sua nobreza. No entanto, os pintores japoneses da atualidade s\u00e3o quase que inteiramente indiferentes a esta quinta-ess\u00eancia da Pintura oriental. Ela remanesce apenas em uns poucos grandes mestres, existindo entre os artistas jovens a tend\u00eancia de se deixarem levar pela Pintura ocidental. \u00c9 verdadeiramente preocupante. Julgo que, se eu n\u00e3o despert\u00e1-los no tocante a isso, enquanto \u00e9 tempo, o futuro ser\u00e1 sombrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desejo explanar, aqui, sem discutir a diferen\u00e7a entre as pinturas nip\u00f4nica e ocidental, mas englobando todas as artes, sobre o verdadeiro significado da Arte. Desnecess\u00e1rio dizer que tal acep\u00e7\u00e3o \u00e9, claro, n\u00e3o s\u00f3 o aprofundamento do intelecto, mas a condu\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito do contemplante a um estado elevado, pela transmiss\u00e3o da alma do artista atrav\u00e9s dos olhos daquele. T\u00e3o somente deleitar os olhos equipara-se a um espet\u00e1culo circense ou de \"strip-tease\"; n\u00e3o se trata de Arte. Essa observa\u00e7\u00e3o aplica-se tanto ao artista pl\u00e1stico, como ao escritor, ou \u00e0quele que se relaciona com o teatro, a dan\u00e7a ou demais entretenimentos. Faz-se mister extrair, o pouco que seja, a animalidade inerente ao ser humano, apelando para o cora\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por interm\u00e9dio das Artes. \u00c9 necess\u00e1rio enriquecer o que h\u00e1 de cultural no homem. Excetuando-se tal objetivos, n\u00e3o h\u00e1 outra raz\u00e3o de exist\u00eancia para as Artes. Ent\u00e3o, o mais importante nelas \u00e9 a objetividade. Quanto maior a objetividade, maior o valor art\u00edstico. Por mais que o artista considere excelente a sua obra, caso esta n\u00e3o tenha aceita\u00e7\u00e3o na sociedade, n\u00e3o ser\u00e1 outra coisa que c\u00e9dula sem lastro. O que tais artistas chamam de manifesta\u00e7\u00e3o da personalidade n\u00e3o \u00e9 mal; contudo, com isso apenas, o que se tem \u00e9 uma modalidade de fascismo representado pela imposi\u00e7\u00e3o da subjetividade. \u00c9 preciso, custe o que custar, comprazer-se com o grande p\u00fablico. Contemplem-se acuradamente as obras daqueles considerados os grandes mestres da Antiguidade. Sua arte possui ampla abrang\u00eancia, ainda hoje permanecendo v\u00edvida a t\u00e9cnica sobre-humana de encantar e deleitar tanto a elite intelectual quanto as massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero expor, a seguir, sobre a Literatura japonesa contempor\u00e2nea, para falar, sem cerim\u00f4nia, sobre o seu n\u00edvel extremamente baixo. Os escritores atuais aspiram t\u00e3o somente a serem badalados como autores da moda, e para tal adulam o grande p\u00fablico, tirando proveito das tend\u00eancias vulgares em voga. N\u00e3o t\u00eam ideais ou coisa que os valha. Basta que a sua produ\u00e7\u00e3o seja filmada, rendendo lucros \u2014 o que transparece nitidamente nessas obras. S\u00e3o interessantes, enquanto lidas ou vistas, nada mais restando de proveitoso. S\u00e3o id\u00eanticas a pratos que s\u00f3 sabor possuem, mas n\u00e3o nutrem. Consistem em entretenimento que proporciona satisfa\u00e7\u00e3o passageira da curiosidade. N\u00e3o serei apenas eu a me preocupar com o perigo de tais obras de arte baix\u00edssimas suscitarem a criminalidade pelo embrutecimento do car\u00e1ter das massas. Verdade \u00e9 que, ainda assim, n\u00e3o deixam de existir, \u00e0s vezes, obras que questionam a sociedade, expondo as suas falhas, ou nas quais o autor clama pela sua opini\u00e3o. No caso do Jap\u00e3o, por\u00e9m, tal aspecto \u00e9 superficial e diminuto. N\u00e3o se descobrem obras capazes de estremecer de verdade a alma do leitor. Julgo que o motivo disso est\u00e1 na aus\u00eancia do sentimento religioso na classe de escritores japoneses. Coloquemos em confronto essas obras com um Shakespeare, um Tolstoi, um Hugo, um Ibsen, um Bernard Shaw. S\u00e3o de uma escala grandiosa, afluindo deles uma cr\u00edtica aguda da civiliza\u00e7\u00e3o, uma filosofia revolucion\u00e1ria, um senso de justi\u00e7a religiosa que impressiona a alma de quem os l\u00ea. Eles continuam a conquistar o esp\u00edrito das massas desde quando foram produzidos at\u00e9 os dias de hoje. O que ser\u00e1 essa energia sen\u00e3o a nobreza da Arte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis aqui o que escrevi ao sabor do que me vinha \u00e0 mente. Se porventura os jovens artistas aceitarem algo, por m\u00ednimo que seja, da minha tese, dar-me-ei por satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jornal Eiko, n\u00ba 103 \u2014 9 de maio de 1951<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-9894-0-0-1\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html\" data-index=\"1\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%arte%2Fminha-critica-sobre-pintura%2F&width=450&layout=standard&action=like&size=large&share=false&height=35&appId=171964893011161\" width=\"450\" height=\"35\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-9894-0-0-2\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html\" data-index=\"2\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#appId=APP_ID&amp;xfbml=1\"><\/script><fb:comments href=\" http:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/minha-critica-sobre-pintura\/\" num_posts=\"100\" width=\"500\"><\/fb:comments><meta property=\"fb:app_id\" content=\"171964893011161\"><\/div><\/div><div id=\"panel-9894-0-0-3\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html panel-last-child\" data-index=\"3\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/share_button.php?href=http%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%2Fensinamentos%2Farte%2Fminha-critica-sobre-pintura%2F&layout=button_count&size=large&appId=171964893011161&width=88&height=28\" width=\"88\" height=\"28\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n\n\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o posso deixar de me lamentar profundamente quando analiso o mundo hodierno das Artes, em particular, o da Pintura. \u00c9 que o pr\u00f3prio pintor n\u00e3o discerne nada da verdadeira ess\u00eancia da Pintura. 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