{"id":9936,"date":"2021-11-15T10:11:39","date_gmt":"2021-11-15T13:11:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/?p=9936"},"modified":"2022-06-15T12:54:06","modified_gmt":"2022-06-15T15:54:06","slug":"sobre-a-arte-da-velocidade-e-picasso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/sobre-a-arte-da-velocidade-e-picasso\/","title":{"rendered":"SOBRE A ARTE DA VELOCIDADE E PICASSO"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-9936\"  class=\"panel-layout\" ><div id=\"pg-9936-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-9936-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-9936-0-0-0\" class=\"so-panel widget_sow-editor panel-first-child\" data-index=\"0\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\"\n\t\t\t\n\t\t>\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n\t<p style=\"text-align: justify;\">Quando cotejamos as artes ocidental e oriental, temos que aquela \u00e9 din\u00e2mica, enquanto esta, est\u00e1tica. Tomemos o exemplo da m\u00fasica: a do Ocidente prima pelo movimento e velocidade, exultando e animando o ouvinte, de forma que ele n\u00e3o possa parar quieto. Em contraposi\u00e7\u00e3o, a m\u00fasica oriental induz o ouvinte a um sentimento de calma e repouso. O mesmo vale ser dito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dan\u00e7a: a do Jap\u00e3o consiste mais num bailar, \u00e9 a pr\u00f3pria imobilidade. J\u00e1 a ocidental e din\u00e2mica, sendo um de seus ramos extremos o \"jazz\".<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tocante \u00e0 pintura, d\u00e1-se o mesmo. A \u00fanica diferen\u00e7a \u2014 em termos intr\u00ednsecos \u2014 com a m\u00fasica e a dan\u00e7a, \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil para a pintura, em virtude de seus m\u00e9todos est\u00e1ticos, a express\u00e3o do movimento. Tal dificuldade ocasiona uma composi\u00e7\u00e3o um tanto quanto for\u00e7ada. Da vontade de solucionar o problema e criar uma nova tend\u00eancia, surgiu a pintura ocidental hodierna. Aquelas pinturas estranh\u00edssimas nasceram da concep\u00e7\u00e3o de que o m\u00e9todo convencional de pintar tanto corpos est\u00e1ticos, tal e qual se apresentam aos olhos, bem como o que est\u00e1 em movimento, tamb\u00e9m, de maneira est\u00e1tica, segundo a vis\u00e3o do pintor, n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. O grande mestre do g\u00eanero \u00e9 Picasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, cientes disso, contemplarmos esses quadros, n\u00f3s os entenderemos, mais ou menos. Eles expressam a sensa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea recebida de um corpo em movimento, podendo existir dois casos, como citamos acima: num, o movimento do corpo \u00e9 expresso com objetividade; no outro, mesmo que o corpo esteja em repouso, tem-se a sensa\u00e7\u00e3o do instante em que o pr\u00f3prio pintor se movimentava. Consequentemente, quem v\u00ea deve discernir tal detalhe com precis\u00e3o, conquanto essa seja uma tarefa bem dif\u00edcil. Em suma, temos a velocidade do movimento do objeto e a velocidade do movimento do pintor que v\u00ea o repouso do objeto. Como \u00e9 extremamente complicado, basta considerar que o que importa \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o da velocidade. Por isso, h\u00e1 nessas obras rostos que se sobrep\u00f5em, que se contorcem, ou desequil\u00edbrio entre o rosto que \u00e9 min\u00fasculo e o corpo que \u00e9 imenso... A interse\u00e7\u00e3o de linhas geom\u00e9tricas consiste na sensa\u00e7\u00e3o da velocidade correspondente a pr\u00e9dios e, da mesma forma, a sarabanda incoerente de cores, na sensa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea proporcionada por um canteiro de flores ou vestes femininas. Por isso, de posse de tais conhecimentos, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel compreender at\u00e9 certo ponto essas obras. Todavia, para falar sem cerim\u00f4nia, seria desej\u00e1vel que se pusessem notas explicativas a respeito do momento em que foram executadas. Caso contr\u00e1rio, quem v\u00ea \u00e9 induzido a uma confus\u00e3o mental in\u00fatil. Quem vai a uma exposi\u00e7\u00e3o quer divertir-se; se o que encontra, por\u00e9m, \u00e9 sofrimento, a quest\u00e3o exige demorada reconsidera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Creio ter j\u00e1 escrito o suficiente para ser, de forma razo\u00e1vel, entendido. De agora em diante, passo a manifestar aos pintores o que penso, na posi\u00e7\u00e3o de contemplador de suas obras. Ao nos colocarmos diante de uma tela, deleitamo-nos quando logramos captar a inten\u00e7\u00e3o do autor, compreendendo, de imediato, do que se trata. Tal capta\u00e7\u00e3o deve ser a alma da arte. Entretanto, defronte de um quadro como os de Picasso, somos levados a meditar nos objetivos do autor, no que ele quis expressar com o que criou. Parece at\u00e9 com o programa As Vinte Portas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, onde somos obrigados a adivinhar se o neg\u00f3cio \u00e9 um animal, um vegetal ou um mineral. Por causa disso, perdemos um bom tempo a meditar. O que se tem, portanto, n\u00e3o \u00e9 arte, mas um tipo de quebra-cabe\u00e7a. Felicidade seria poder ouvir do animador que cheg\u00e1ramos \u00e0 resposta correta; provavelmente, por\u00e9m, no referente a essas pessoas, ningu\u00e9m nos dir\u00e1 isso. No meu caso, s\u00f3 de ver algumas dessas telas, minha cabe\u00e7a come\u00e7a a doer: sinto medo em pensar o que aconteceria se as visse todas. Sendo assim \u2014 usando de um modo extremo de falar \u2014 quem v\u00ea tais obras \u00e9 um tipo de v\u00edtima. De fato, o pintor, todo cheio de si, imp\u00f5e a sua subjetividade \u2014 se o espectador aceita, benfeito! Pobre coitado! Ele \u00e9 visitante de exposi\u00e7\u00f5es... Este \u00e9 o modo de pensar dos artistas modernos. Ignoram a objetividade, orgulhando-se de ser o que sempre apelido de fantasmas da subjetividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica registrada com ousadia a minha opini\u00e3o. Talvez possa ser tamb\u00e9m a imposi\u00e7\u00e3o da minha personalidade, ou mesmo a paga pelas imposi\u00e7\u00f5es sofridas... Entrementes, quero escrever, de forma breve, a minha opini\u00e3o acerca da pintura. N\u00e3o resta d\u00favida de que ela \u00e9 um elemento fundamental das belas-artes. Em se tratando, ent\u00e3o, de um fator de tamanha import\u00e2ncia, deve-se claramente receber dela a impress\u00e3o da beleza. Em outras palavras, ao nos confrontarmos com uma boa pe\u00e7a, devemos experimentar, em plenitude, a atra\u00e7\u00e3o e o embevecimento proporcionados pelo Belo. \u00c9 nisso que reside o verdadeiro valor da obra e que faz dela um bem cultural excelente. Em consequ\u00eancia, as exposi\u00e7\u00f5es para tal devem existir. Desejo acrescentar, aqui, algo mais. Trata-se do significado da Pintura em si. Independente de \u00e9poca ou lugar, a Pintura n\u00e3o ser\u00e1 verdadeira caso sua aprecia\u00e7\u00e3o esteja reservada exclusivamente a pessoas dotadas de um senso cr\u00edtico especial. A alma da Arte reside na universalidade de proporcionar prazer a todo mundo. Desnecess\u00e1rio dizer que ela n\u00e3o deve imitar a Pintura ocidental da atualidade, na sua presun\u00e7\u00e3o. Caso ela se rebaixe ao n\u00edvel do \"jazz\", que s\u00f3 faz correr atr\u00e1s da moda v\u00e3, acabar\u00e1 por auto-exterminar-se, mais cedo ou mais tarde. L\u00f3gico \u00e9 que, se a pintura consiste no alimento do esp\u00edrito que se toma atrav\u00e9s dos olhos, deve-se dar de comer o que \u00e9 gostoso, ao inv\u00e9s do que \u00e9 ruim. A consci\u00eancia do pintor deve proceder assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jornal Eiko, n\u00ba 114 \u2014 23 de janeiro de 1952<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>As Vinte Portas:<\/em> programa de divers\u00e3o que foi levado ao ar de 1947 a 1960.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-9936-0-0-1\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html\" data-index=\"1\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=https%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%arte%2Fsobre-a-arte-da-velocidade-e-picasso%2F&width=450&layout=standard&action=like&size=large&share=false&height=35&appId=171964893011161\" width=\"450\" height=\"35\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-9936-0-0-2\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html\" data-index=\"2\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><script src=\"http:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#appId=APP_ID&amp;xfbml=1\"><\/script><fb:comments href=\" https:\/\/www.jinsai.org\/pt-BR\/ensinamentos\/arte\/sobre-a-arte-da-velocidade-e-picasso\/\" num_posts=\"100\" width=\"500\"><\/fb:comments><meta property=\"fb:app_id\" content=\"171964893011161\"><\/div><\/div><div id=\"panel-9936-0-0-3\" class=\"widget_text so-panel widget_custom_html panel-last-child\" data-index=\"3\" ><div class=\"textwidget custom-html-widget\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/share_button.php?href=https%3A%2F%2Fwww.jinsai.org%2Fpt-BR%2Fensinamentos%2Farte%2Fsobre-a-arte-da-velocidade-e-picasso%2F&layout=button_count&size=large&appId=171964893011161&width=88&height=28\" width=\"88\" height=\"28\" style=\"border:none;overflow:hidden\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"true\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe>\n\n\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando cotejamos as artes ocidental e oriental, temos que aquela \u00e9 din\u00e2mica, enquanto esta, est\u00e1tica. 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