CAPÍTULO 6 – SALVADOR E REDENTOR

Já vimos que o Mal foi fundamentalmente necessário para o progresso e o desenvolvimento da cultura, mas há outro importante ponto a assinalar. A História registrou o surgimento de muitas religiões. Todas, sem exceção, encorajaram o Bem e condenaram drasticamente o Mal. A missão das religiões consistiu precisamente em evitar o Mal. Algumas pessoas, porém, costumavam formular-me perguntas do seguinte teor: “Por que, sendo Deus a encarnação do amor e Buda a da misericórdia, criaram homens maus? Para induzi-los a cometer pecados e depois puni-los? Não haverá nisso uma grande contradição? Se o Mal não tivesse sido criado desde o princípio, não haveria necessidade de punições. Será esse o verdadeiro Amor de Deus?” A pergunta, evidentemente, tem fundamento e, para dizer a verdade, também me intrigava, de modo que eu invariavelmente respondia: “Sim, com efeito. Mas não fui eu quem criou o Mal e por isso não posso explicá-lo. Deus criou o Mal por alguma razão que, tenho certeza, algum dia nos será mostrada. Só nos resta, portanto, esperar até lá“.

Esse dia finalmente chegou. A razão, para minha grande alegria, me foi cabalmente revelada por Deus. Qual uma lâmpada acesa na noite escura, a explanação poderá abrir os olhos de muitas pessoas que, certamente, também nutrem as mesmas dúvidas.

Por que todos os fundadores de religiões até agora condenaram irrestritamente o Mal? Como já expliquei, Deus Supremo não mostrou antes o seu significado mais profundo, porque o Mal foi necessário durante um certo período. Nem mesmo as divindades justas o souberam e tentaram criar o mundo do Reino dos Céus unicamente por meio da justiça, enquanto os jashin, ao contrário, procuraram concretizar as suas ambições através do Mal, sem olhar os meios. Mas, tendo finalmente chegado ao fim o tempo da duração do Mal, Deus Supremo manifesta diretamente o Seu poder, revelando o significado fundamental do Bem e do Mal.

Até hoje, nem os grande fundadores de religiões puderam dispor do supremo poder. Jesus Cristo chamou-se o Redentor, mas não disse ser o Salvador. Redentor, como a própria palavra o indica, é o Senhor que redime pecados. Ou seja, aquele que em seu corpo absorve os pecados de milhões de pessoas, com a missão de por eles pedir perdão ao Supremo Deus. Por isso, para redimir os pecados de milhões de indivíduos, foi crucificado.

Sakyamuni, por outro lado, devotou-se de corpo e alma á pregação dos sutras, com o fim de criar, através do budismo, um mundo paradisíaco. Este, porém, não evoluiu do modo como ele a princípio previra. Diz um sutra que Sakyamuni alcançou o estado de kenshinjitsu aos 72 anos de idade, quando conheceu verdadeiramente o seu destino e a sua missão. Despertou então para o seu erro e, compreendendo que a concretização do mundo paradisíaco ainda estava muito distante no futuro, confessou haver algumas falhas nos sutras que anteriormente pregara e que o que ensinaria a seguir seria a verdade. Passou então a ensinar o que chamou de a verdadeira doutrina, exposta nos três sutras: Hoometsujin-kyo (o sutra sobre a extinção do budismo), Miroku-shutsugen-jooju-kyo (o sutra sobre o advento e a realização de Maitreya) e nos vinte e oito volumes do Sadharma-pundarika-sutra (O sutra do Lótus). Em síntese, Sakyamuni soube que o budismo fatalmente desapareceria, após o que viria o mundo de Maitreya-Boddhisattva, isto é, o Paraíso na Terra. Esta profecia é amplamente conhecida.

Quero chamar atenção para o tempo previsto por Sakyamuni para o advento do mundo de Maitreya: dali a 5 bilhões 670 milhões de anos. Pensando bem, é absurdo pensar que a profecia possa dizer respeito a um futuro tão distante. Primeiramente, porque tal previsão careceria de significado; é impossível imaginar o que será do mundo e da humanidade num futuro tão distante. Foi-me revelado que a profecia indica os números 5, 6 e 7, que encerram uma profunda significação oculta: 5 é Sol (fogo), 6 é Lua (água) e 7 é Terra. Esta é a ordem correta. Até hoje, porém, prevaleceu a ordem incorreta: 6, 7 e 5. Mais adiante[1], estender-me-ei sobre esse ponto. Em todo caso, nem mesmo os grandes mestres puderam expor a Verdade. Nos sutras e na Bíblia falta clareza, tornando quase impossível a captação da Verdade. O tempo, evidentemente, ainda não era chegado. Mas aqui, Deus Supremo finalmente revela a Verdade profunda. O que se explica neste livro é bem claro, sem deixar margem a dúvidas, para que qualquer pessoa possa perceber a Verdade.

As poderosas forças do Mal já conquistaram o kobukurin[2] (0,99 do mundo). Mas quando tentarem conquistar o 0,01 restante, surgirá inesperadamente o poder do itchirin, invertendo de uma vez o malicioso estratagema das divindades malignas. Isto significa que este mundo, em que o Mal prevaleceu sobre o Bem, se tornará um mundo em que o Bem prevalecerá sobre o Mal. Em termos concretos, o mal do kobukurin é a medicina materialista. Como eu já disse, também este foi um mal necessário e até agora foi bom assim. Mas, em conseqüência, dominou completamente a vida, que é o bem mais precioso do ser humano. Se a medicina, portanto, está errada, pode-se dizer que a vida corre um perigo inexprimível. Mas corrigir esta medicina em que a humanidade acredita com tão sólida convicção não é uma tarefa fácil.

[1] Na terceira parte do livro.

[2] Veja explicação no Adendo.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *